O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São
Paulo faz parte do sistema de registro e fiscalização
do exercício da profissão contábil, formado
pelo Conselho Federal de Contabilidade, com sede em Brasília,
e os Conselhos Regionais existentes em todos os Estados da Federação.
Este sistema foi criado pelo Decreto-lei nº 9.295, de 27 de
maio de 1946, assinado pelo então presidente Eurico Gaspar
Dutra, e representou o resultado de um longo processo de gestões
que a classe contábil, por meio de suas lideranças,
realizou junto aos poderes públicos e à sociedade para
criar um órgão colegiado que representasse a regulamentação
definitiva da profissão.
A história da regulamentação da profissão
de Contabilista tem seu início no Império. Com a edição
do Código Comercial Brasileiro, sancionado pelo imperador
D. Pedro II, em 1850, o guarda-livros passou a ser considerado um
agente auxiliar do comércio. Pelo artigo 35, item 3, desse
primeiro Código Comercial, ele também é considerado
preposto da Casa Comercial e, antes de entrar em serviço,
deveria receber do empregador ou preponente uma nomeação
por escrito que, por sua vez, deveria ser inscrita no Tribunal do
Comércio. Naqueles dias, não se falava em diplomados
e não-diplomados e, pelos registros da época, presume-se
que a grande maioria dos Contabilistas ou guarda-livros era prático – exerciam
a profissão de forma empírica – ou, até mesmo,
comerciante que usava rudimentos da Contabilidade para tocar seus
próprios negócios, mas que, apesar disso, já utilizava
o método de partidas dobradas, na época conhecidas
como "quarta fórmula".
Datam do final do Império e início da República
os primeiros cursos comerciais do País. A primeira legislação
reconhecendo a existência dessas escolas e sua utilidade veio
em 1902, quando o então presidente Rodrigues Alves declarou
de utilidade pública, com caráter oficial, os diplomas
conferidos pela Academia de Comércio do Rio de Janeiro, Escola
Prática de Comércio de São Paulo, Instituto
Comercial do Distrito Federal e Academia de Comércio de Juiz
de Fora.
Em 1915, foi fundado o Instituto Brasileiro de Contadores Fiscais,
a primeira entidade para congregar Contabilistas de que se tem notícia
em nosso País. No ano seguinte, foram fundados a Associação
dos Contadores de São Paulo e o Instituto Brasileiro de Contabilidade,
no Rio de Janeiro. Em 1924, foi realizado, no Rio de Janeiro, o 1º Congresso
Brasileiro de Contabilidade, liderado pelo senador João Lyra,
quando foi iniciada a campanha para a regulamentação
da profissão de Contador e para a reforma do ensino comercial.
Em 1927, o eminente Contabilista Francisco D'Auria lançou
a idéia de instituição do Registro Geral de
Contabilistas do Brasil, com o propósito de selecionar, de
acordo com os títulos de habilitação, os profissionais
aptos para o desempenho das funções de Contador. Este
Registro Geral, que chegou a ter um Conselho Perpétuo constituído
por grandes nomes da profissão daquela época, foi o
embrião do que hoje é o sistema CFC/CRCs.
Em 1930, o Brasil passou pela maior convulsão política
de sua história e, depois de uma revolução vitoriosa,
instalou-se no poder o governo provisório liderado por Getúlio
Vargas, que imprimiu grande ímpeto às mudanças
institucionais que levaram à regulamentação
de várias profissões, entre as quais, a de Contabilista.
Em 1931, foi concretizada a reforma do ensino comercial, efetuada
nos mesmos moldes que haviam sido reivindicados durante o 1º Congresso
Brasileiro de Contabilidade. Nesse ano, foi instituído também
o registro obrigatório dos guarda-livros e dos Contadores
na Superintendência do Ensino Comercial. No ano seguinte, o
governo provisório baixou o Decreto nº 21.033, que estabeleceu
novas condições para o registro de Contadores e guarda-livros
e que resolvia o problema dos práticos. O decreto estabeleceu
condições e prazos para o registro desses práticos
e, a partir de então, a profissão contábil esteve
indissoluvelmente ligada à preparação escolar.
A profissão foi crescendo em números absolutos e em
importância para a economia do País. Em 1943, o ensino
comercial e a regulamentação profissional foram complementados
e consolidados pelo Decreto-lei nº 6.141 e, em 1945, pelo Decreto
nº 7.938, consolidou-se o ensino técnico em grau superior
em Contabilidade.
Este último decreto foi bastante aplaudido pelas lideranças
contábeis da época, que multiplicaram suas gestões
junto aos poderes públicos para a criação de
um órgão semelhante ao Conselho Regional de Engenharia
e à Ordem dos Advogados do Brasil, as duas profissões
de nível universitário até então regulamentadas
no Brasil.
As gestões resultaram no anteprojeto para criação
do CFC e para a regulamentação definitiva da profissão,
que começou a tramitar nos vários ministérios
governamentais. Sentindo que a hora havia chegado e que o governo
estava bastante aberto às sugestões neste sentido,
os Contabilistas do Rio de Janeiro (então a capital do País)
enviaram, em 24 de setembro de 1945, uma convocação
urgente para as entidades de todo o Brasil, convidando-as para a
Primeira Convenção Nacional dos Contabilistas, convocada
para agradecer às autoridades a elevação dos
cursos técnicos de comércio para o nível superior
e para apressar a tramitação do projeto de criação
do "Conselho Nacional de Contabilidade".
A Convenção foi realizada de 10 a 13 de outubro desse
ano e de seu programa, além das discussões e apresentações
de teses, constaram várias visitas às maiores autoridades
do Brasil para reivindicar a criação do Conselho. O
projeto continuou sua peregrinação pelos vários
departamentos oficiais e, finalmente, em 27 de maio de 1946, foi
assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, que havia sucedido
a Getúlio Vargas no ano anterior em conseqüência
da chamada redemocratização.
Com a edição do Decreto-lei nº 9.295/46, a história
da Contabilidade no Brasil entra numa nova fase. Os meses seguintes à edição
do decreto foram tomados em articulações para a criação
dos conselhos regionais nos vários Estados e para a consolidação
do Conselho Federal de Contabilidade.
História do CRC SP
O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo
foi instalado em 14 de dezembro de 1946 e sua primeira reunião
foi realizada em 23 de dezembro, às 21 horas, na sede do Sindicato
dos Contabilistas de São Paulo, naquela ocasião, localizado
na rua São Bento, 405, 11º andar. Nessa primeira reunião,
foi realizada a eleição para a escolha do primeiro
presidente do CRC SP, da qual saiu-se vitorioso o Contador Pedro
Pedreschi.
A segunda reunião do CRC SP foi realizada em 6 de fevereiro
de 1947, também na sede do Sindicato dos Contabilistas de
São Paulo, e nela foram debatidos os temas referentes à efetiva
instalação do órgão de registro e fiscalização
do exercício da profissão contábil no Estado
de São Paulo.
A sede do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo foi usada
para a realização de 39 reuniões do CRC SP.
Em 15 de dezembro de 1947, o Conselho instalou-se em sua primeira
sede, uma pequena sala de 16 metros quadrados localizada na rua Wenceslau
Braz, 175, 5º andar, onde ficou até o final de 1951,
quando mudou-se para uma sede maior, que ocupava todo o andar de
um prédio na rua 3 de Dezembro.
Em 1952, o então presidente, Joaquim Monteiro de Carvalho,
comprou o 8º andar do Edifício da Lavoura, na rua 24
de Maio, 104, a primeira sede própria do CRC SP. Ao mesmo
tempo que crescia em importância e em funções,
o Conselho ia ocupando outros andares desse edifício, até que
passou a utilizá-lo quase que completamente.
Em 1990, foi criada uma comissão para estudar a viabilidade da construção de uma nova sede para o CRC SP e, em 6 de outubro de 1995, foi inaugurada a nova sede do Conselho, na rua Rosa e Silva, 60, um edifício de 11 andares, com um mezanino, três andares anexos e três subsolos, contando com quase 10 mil metros quadros de área construída.
Com o objetivo de ampliar a estrutura física da entidade, em 2006, o CRC SP efetuou a compra de um prédio de 7 mil metros quadrados de área construída, localizado na rua Rosa e Silva, 104, e que passará por uma reforma antes de ser incorporado à sede.
O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo tem em seus quadros mais de 220 colaboradores, dos quais 45 são fiscais. Em seus registros, figuram mais de 260 mil profissionais e empresas de serviços contábeis, ativos ou com registros já baixados. Dos que estão ativos, são mais de 110 mil profissionais e mais de 17 mil empresas de serviços contábeis. Os profissionais e as empresas estão permanentemente sujeitos à fiscalização do CRC SP, que verifica se os padrões técnicos e éticos condizentes com a profissão contábil estão sendo seguidos.
Além de registrar e fiscalizar o exercício profissional,
o CRC SP é responsável por um ambicioso programa de
desenvolvimento profissional que já beneficiou milhares de
profissionais de todas as regiões do Estado com palestras
e cursos. Também tem um programa de integração
com as principais faculdades de Ciências Contábeis do
Estado para contribuir com a constante melhoria dos cursos oferecidos. |
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