Deveria ser sempre assim
* Por Luiz Fernando Nóbrega
Com muita alegria, acompanhamos o desenrolar do julgamento da constitucionalidade (ou não) da Lei da Ficha Limpa.
A sociedade brasileira está aprendendo a se posicionar mais firmemente contra abusos em qualquer esfera e, no caso em questão, em nossa política secular.
Estamos dando um passo importante rumo à moralização e bradando por uma vitória que sempre nos pareceu lógica e coerente. Exigimos que o processo político seja mais decente e com uma transparência de fato e não de direito.
Já basta ouvirmos de candidatos acusação e defesa com uma veemência tamanha que a poeira da dúvida paira sobre os dois lados. Esses políticos que beiram a carreira artística defendem-se de acusações com uma maestria de informações que nos deixam perdidos e perplexos.
Desta forma, com o advento dessa lei, a impunidade não terá mais duas caras e a faceta artística dos candidatos será abortada pela justiça. É uma vitória, sem dúvida, da sociedade que poderia ter dado este grito nas urnas. Porém, sei que ainda estamos aprendendo, mesmo que na base da força.
As mudanças da Lei da Ficha Limpa serão sentidas pelos partidos políticos desde o nascedouro de seus candidatos. Surgirão novos nomes e eventualmente sumirão velhos nomes. Bom? Apostamos que sim!
O serviço que nos foi imputado pelo Decreto-lei nº 9.295/1946, de fiscalização do exercício profissional, ganha mais uma função, pois a Lei da Ficha Limpa torna inelegíveis as pessoas que foram condenadas por seus órgãos profissionais.
Em nome da lisura e clareza que sempre apregoou a classe contábil, irmanamo-nos nessa luta e apoiamos o processo claro e ético e nos colocamos à disposição para continuar nessa batalha em prol de uma sociedade mais digna, justa, transparente e moralizada.
*Luiz Fernando Nóbrega é presidente do CRC SP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo). |