Não há dúvida que a Arte procura o belo e cada artista, a seu modo, busca uma verdade por caminhos distintos. Mas, mesmo percorrendo caminhos diferentes, cada qual tem a capacidade de refletir a verdade essencial das coisas.
As diferentes ideias de cada artista se reúnem estabelecendo um diálogo interessante e criativo. Assim é a presente exposição, que nos oferece quatro visões bem diferentes.
A abordagem intuitiva das obras de Lenice Rocha, cujo realismo capta a essência e explora a relação entre natureza e Arte faz que resultem em uma nova identidade.
Em uma interessante versão, o mar, que é patrimônio de todos, mas que realmente não pertence a ninguém, é tão magnificamente representado através da criatividade da jovem Luíza Mathey Settani, que segue com vivacidade seu próprio imaginário e sua grande sensibilidade.
No que se refere à criatividade de Márcio Petroni, ele concebe as imagens que pinta de maneira pura, refletindo seu interior para transmitir seu interesse pelos seres humanos.
Entretanto, não há dúvida que as criações de Marcos Damascena são marcadas pela magia de uma construção sugerida pela natureza do ser humano, onde o artista, com sua fantasia criativa, obtém e transmite uma forte harmonia poética.
Emanuel von Lauenstein Massarani
Crítico de arte e representante do IPH

Lenice Rocha
Artista visual, é natural de Bonito/MS e atualmente reside em São Paulo. Participou de dezenas de exposições nacionais e internacionais em galerias, museus e instituições importantes, sendo destaque em algumas mostras. Vem colecionando prêmios e honrarias, além de ser júri de salões importantes.
Estudou no Liceu de Artes e Ofícios e se especializou em arte figurativa. Com o tempo, suas obras foram se transformando e recebendo grande prestígio, essencialmente com a nova série de florais abstratos, que se tornou sua identidade artística.
Em 2024 participou como membro do júri técnico no 82º Salão Livre da Associação Paulista de Belas Artes (APBA), São Paulo/SP.

Luísa Mathey Settanni
Sua trajetória artística foi construída por meio da experimentação constante e do aprofundamento técnico, o que lhe permitiu desenvolver uma linguagem autoral própria, influenciada por experiências pessoais, referências naturais e pela observação do tempo, da paisagem e da sensibilidade contemporânea.
Participou de importantes exposições e eventos artísticos nacionais e internacionais, sendo premiada nos Salões da Associação Paulista de Belas Artes (APBA, com a Medalha de Honra ao Mérito no Salão de Fauna e Pets, pela obra Araras e Cores, e com o Prêmio ABPA no Salão da Marinha, pela obra Pedras à Beira-Mar, reconhecimentos que marcaram momentos importantes da consolidação do seu trabalho.

Marcio Petroni
Iniciou sua trajetória artística, quando criança, inebriado pelos materiais coloridos, e com eles foi desenhando seus sonhos e esculpindo suas técnicas, composições e significados psíquicos da Arte. É autodidata por natureza, mas isso não o isolou e sempre buscou estudar com bons professores, no Brasil e outros países.
Valoriza o aprimoramento do artista como o alimento diário, incessante e necessário. Considera a vivência com a Arte, um dos grandes privilégios da vida.
Atua como professor de técnicas variadas de desenho e pintura e atende uma clientela fiel de colecionadores há mais de 30 anos.

Marcos Damascena
Artista hiper-realista, iniciou sua carreira artística em 2001, fundamentado nos conceitos da pintura e da Filosofia. Durante dez anos, formou a base conceitual para uma jornada em busca do simbolismo da Arte.
O que se vê em seus quadros: tecidos, danças, colares, búzios e gestos - não são símbolos de uma fé institucionalizada, mas expressões vivas de um povo que soube transformar dor em beleza, exílio em ritmo, silêncio em cor. Ele pinta a ancestralidade, aquilo que vem antes da palavra “religião”. Recria o que pulsa no corpo, no gesto, na terra, pintando a herança de uma história que o Brasil tentou apagar, mas que se fez cor, canto, axé. A ancestralidade em suas obras não é passado. É um presente vibrante.
É tecnologia da memória. É Arte que atravessa o tempo. É contemporaneidade que dança com o antigo. A espiritualidade em suas obras está na matéria: no algodão tingido, no barro queimado, na pele preta que carrega mundos.